Elogios a Lula e ‘cortina de fumaça’: Os bastidores da indigesta visita de Flávio Bolsonaro a Trump na Casa Branca

Elogios a Lula e ‘cortina de fumaça’: Os bastidores da indigesta visita de Flávio Bolsonaro a Trump na Casa Branca

Foto Montagem: Internet/divulgação

WASHINGTON — O que era para ser o grande trunfo eleitoral do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), transformou-se em um labirinto de constrangimentos diplomáticos e políticos na capital americana. A viagem do parlamentar a Washington para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terminou com um saldo amargo: reuniões superficiais, a pecha de “visita não convidada” e, para piorar, a obrigação de ouvir o líder republicano tecer elogios ao seu maior adversário político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos bastidores de Brasília e da diplomacia em Washington, o diagnóstico é unânime: a comitiva bolsonarista tentou criar um fato político, mas acabou expondo o isolamento e o pragmatismo da Casa Branca.

O ‘Balão de Ensaio’ para abafar crise no Brasil

A viagem de Flávio Bolsonaro foi classificada pelo Itamaraty e por analistas políticos como um “balão de ensaio” de última hora. O senador viajou sem um convite oficial do governo americano, forçando uma agenda que, originalmente, não estava nos planos prioritários de Trump.

O motivo da urgência em cruzar o Atlântico tinha forte cheiro de crise doméstica. A estratégia da equipe de Flávio era clara: criar uma cortina de fumaça para desviar a atenção do eleitorado brasileiro do “Caso Master”. O escândalo explodiu após o vazamento de áudios em que o senador aparece negociando repasses milionários com o banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, abalando severamente sua pré-campanha e o fazendo despencar nas pesquisas de intenção de voto.

Salão Oval burocrático e foco em ‘reformas na Casa Branca’

Apesar de a comitiva brasileira ter propagado nas redes sociais que passou cerca de uma hora e meia no complexo presidencial, fontes diplomáticas confirmaram que o encontro real a sós com Donald Trump no Salão Oval foi jogo rápido e puramente protocolar.

As principais pautas levadas pelo senador — como o apelo para que os EUA classifiquem as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas — foram despachadas rapidamente e repassadas para o segundo escalão de assessores americanos.

Para constrangimento dos presentes, jornalistas que cobrem o dia a dia da Casa Branca relataram que Trump gastou mais de dez minutos da conversa detalhando as obras e reformas caras que vem promovendo na sede do governo, como as mudanças no Roseiral e no salão de festas. O comportamento do presidente americano evidenciou que, para Washington, a presença do senador brasileiro tinha pouquíssimo peso geopolítico.

O balde de água fria: Trump elogia pragmatismo de Lula

O pior momento para Flávio Bolsonaro, no entanto, ocorreu quando o próprio Trump trouxe o nome de Lula para a mesa. Rompendo a narrativa de que o governo americano endossa a oposição brasileira, Trump relembrou o encontro bilateral que teve com o petista semanas atrás e surpreendeu a comitiva.

De acordo com relatos de bastidores, Trump disparou que, embora Lula aparentasse ser muito velho fisicamente, ao falar e agir ele passava uma impressão completamente diferente: a de uma pessoa “muito dinâmica e esperta”.

Lula aparentava ser muito velho, mas quando falava e agia, passava uma impressão completamente diferente, de uma pessoa muito dinâmica e esperta.” Donald Trump, em relato de bastidores no Salão Oval.

O elogio de Trump ao pragmatismo e à inteligência política de Lula funcionou como um balde de água gelada nas pretensões de Flávio Bolsonaro. O senador, que viajou buscando a bênção da extrema-direita internacional para estancar sua crise nas pesquisas, voltou ao Brasil carregando na bagagem a chancela do próprio Trump de que o atual presidente brasileiro é um negociador habilidoso.

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