Com aval de Lula e R$ 2 bilhões do BNDES, Governo Federal vira o motor financeiro da maior obra ferroviária de Mato Grosso
CUIABÁ — A construção da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT) entrou em sua reta final com a promessa de revolucionar o escoamento do agronegócio brasileiro a partir do terceiro trimestre deste ano. Embora o projeto seja executado sob o inovador modelo de autorização estadual pela concessionária Rumo Logística, os bastidores de Brasília revelam que a engrenagem que sustenta a obra é movida a combustível federal. Sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Governo Federal assumiu o papel de principal viabilizador financeiro e regulador estratégico do empreendimento.
Com mais de 75% das obras da Fase 1 (Rondonópolis a Campo Verde) concluídas, a ferrovia privada de R$ 5 bilhões só atinge o ritmo atual graças a uma forte articulação de bancos, ministérios e fundos da União.
O motor financeiro: BNDES e fundos regionais sob a gestão Lula
O principal pilar da participação federal na obra está no caixa. Para garantir que o consórcio privado mantivesse o cronograma acelerado — chegando a assentar quase 1 km de trilhos por dia —, o governo do presidente Lula acionou suas principais ferramentas de fomento ao desenvolvimento:
- O aporte do BNDES: O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social selou o financiamento de R$ 2 bilhões voltados exclusivamente para a infraestrutura de via permanente e obras de arte da Fase 1.
- Recursos do Centro-Oeste: Através do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a União destinou mais de R$ 460 milhões ao projeto por meio do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO), gerido pela Sudeco.
A liberação desses recursos federais reflete a estratégia do governo Lula de priorizar grandes obras de logística e infraestrutura que impulsionem as exportações e gerem milhares de empregos diretos nos canteiros de obras do interior do país.
Status prioritário e conexões estratégicas em Brasília
Além do dinheiro em caixa, o Governo Federal atua como o fiador institucional da ferrovia. O MIDR concedeu ao projeto o status de obra de infraestrutura prioritária. Na prática, esse selo do governo federal confere agilidade burocrática à Rumo e dá autorização para a captação de recursos no mercado financeiro com isenções fiscais (debêntures incentivadas).
Em outra frente essencial, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) — autarquia federal — atua na regulação que permite a conexão física dessa nova ferrovia mato-grossense com a chamada Malha Paulista. Sem essa chancela regulatória da União, o trem que partirá de Campo Verde ou Rondonópolis não teria o direito de cruzar as linhas interestaduais para descarregar as safras de grãos no Porto de Santos (SP).
Logística integrada: O papel do DNIT e órgãos ambientais
A execução física da obra também exige a presença constante de técnicos federais em solo mato-grossense. Para que os trilhos pudessem cruzar rodovias federais vitais, como a BR-163 e a BR-070, a Rumo precisou de projetos aprovados e autorizações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), garantindo a segurança viária durante a construção de viadutos e pontes (como a nova travessia de 460 metros sobre o Rio Vermelho).
Da mesma forma, o acompanhamento dos impactos socioambientais do traçado de 743 quilômetros conta com a chancela do Ibama e da Funai, assegurando a mitigação de danos à fauna local e o respeito às comunidades indígenas da região.
Assim, enquanto o Estado de Mato Grosso desenhou o modelo jurídico e a iniciativa privada assumiu o risco da engenharia, o Governo Federal, sob o comando do presidente Lula, consolidou-se como o parceiro indispensável para garantir que o gigante dos trilhos saísse do papel e ganhasse o caminho dos portos.

