Eleições 2026 em MT: Favorita Absoluta ao Senado, Janaina Riva Enfrenta Alto Risco Político caso Aceite ser Vice de Pivetta
Foto: ALMT
CUIABÁ — As articulações políticas para as eleições estaduais e federais de 2026 em Mato Grosso ganham contornos dramáticos. No centro do xadrez eleitoral está a deputada estadual Janaina Riva (MDB). Consolidada pelas pesquisas de intenção de voto como a grande favorita para ocupar uma das duas cadeiras no Senado Federal, a parlamentar vê seu nome sob constante pressão para abdicar da disputa nacional e compor, como vice, a chapa majoritária do atual vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Se por um lado a aliança atende aos interesses do Palácio Paiaguás para pacificar a base governista, por outro coloca a maior liderança do MDB de Mato Grosso diante de um cálculo de altíssimo risco e de um potencial encolhimento de seu capital político.
1. O Favoritismo Absoluto: Por que o Senado é o Caminho Natural?
Os levantamentos eleitorais mais recentes (como os institutos Percent Brasil e MT Dados) mostram que a trajetória de Janaina Riva em direção a Brasília se sustenta em bases extremamente sólidas. O modelo eleitoral de 2026, no qual o eleitor votará em dois senadores, favorece diretamente a parlamentar:
- Domínio do Segundo Voto: Janaina lidera de forma isolada e consistente a preferência de 2º voto entre todo o eleitorado do estado, superando nomes tradicionais da política mato-grossense.
- Baixíssima Rejeição: Diferente de outros concorrentes, a deputada apresenta trânsito livre entre o eleitorado do interior e lideranças municipais, ostentando uma taxa de rejeição baixa que a torna a escolha mais natural para compor a dobradinha com o governador Mauro Mendes (União Brasil).
- Mandato de 8 Anos Garantido nas Urnas: Na soma de primeiro e segundo votos, Janaina desponta confortavelmente na zona de eleição para a segunda vaga. Trocar essa posição de amplo favoritismo por um projeto alternativo representa abrir mão de uma vaga praticamente assegurada no Congresso Nacional.
2. A Realidade Politica: As Perdas e Riscos ao Aceitar a Vice-Governadoria
Embora a narrativa oficial da base governista tente pintar a vaga de vice como um gesto de unidade, analistas políticos apontam que a decisão de compor com Otaviano Pivetta traria perdas profundas de poder e autonomia para Janaina Riva:
Abdicação de um Protagonismo de 8 Anos no Congresso
Ao aceitar a vice-candidatura, Janaina renuncia voluntariamente a um mandato de 8 anos na Alta Câmara. No Senado, a parlamentar teria imunidade, projeção nacional, controle sobre orçamentos federais expressivos e independência política. Como vice-governadora, seu raio de ação fica restrito às margens concedidas pelo titular do Poder Executivo.
O Risco Real do “Tudo ou Nada” (Sem Mandato em 2027)
Pela legislação eleitoral, ao disputar a vice-governadoria, Janaina fica proibida de concorrer à reeleição na Assembleia Legislativa (ALMT) ou ao Senado. Caso a chapa encabeçada por Otaviano Pivetta seja derrotada nas urnas, a parlamentar ficará sem qualquer mandato eletivo a partir de 2027 — um revés brutal para quem hoje lidera as pesquisas para o Congresso Federal.
Subordinação e Perda de Espaço Político
O cargo de Vice-Governador possui atribuições eminentemente acessórias. Sem a garantia constitucional de um mandato legislativo próprio, Janaina passa a depender da concordância do Governador para gerir áreas, indicar secretários ou assinar atos administrativos. O movimento pode ser interpretado pelo eleitorado como um recuo estratégico que submete seu projeto de liderança aos interesses do grupo de Pivetta e Mauro Mendes.
Desidratação do MDB e Frustração das Bases
A desistência da candidatura de Janaina ao Senado retira do MDB a sua principal “puxadora de votos” para as chapas proporcionais de deputados federais e estaduais. Além disso, lideranças municipalistas do interior que apoiam a ida da parlamentar a Brasília veriam o movimento como uma acomodação de cúpula que prioriza o arranjo palaciano em detrimento do projeto do partido.
O Dilema Decisivo
O afunilamento das negociações nos próximos dias exigirá de Janaina Riva uma escolha clara: confirmar o favoritismo nas urnas para assumir um papel de destaque nacional no Senado Federal ou arriscar seu patrimônio político em uma chapa de Executivo onde o protagonismo e o comando do Estado não estarão, primariamente, em suas mãos.
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