Caso Ramagem: Da Prisão na Flórida à Expulsão de Delegado da PF dos EUA; Entenda a Cronologia
Foto: ICE/USA
O cenário político e diplomático entre Brasil e Estados Unidos vive dias de tensão após uma sequência de eventos iniciada com a detenção do ex-diretor da Abin e ex-deputado federal, Alexandre Ramagem. O caso, que envolve condenações por tentativa de golpe de Estado e suspeitas de monitoramento ilegal, ganhou um novo capítulo com a expulsão de um delegado da Polícia Federal brasileira de solo americano.
Após o avanço das investigações sobre a chamada “trama golpista”, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Alexandre Ramagem a 16 anos e um mês de prisão. Antes do início do cumprimento da pena, Ramagem deixou o Brasil. Segundo investigações da PF, ele teria cruzado a fronteira com a Guiana e seguido em um voo para Miami, nos Estados Unidos. Com a condenação, seu mandato parlamentar foi cassado e seus benefícios diplomáticos, incluindo o visto, foram extintos.
No dia 13 de abril, Ramagem foi detido em um condomínio em Orlando pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE), a polícia imigratória americana. A motivação oficial foi sua situação migratória irregular, uma vez que seu visto de turista havia expirado e seu passaporte diplomático não era mais válido devido à cassação do mandato.
Apenas dois dias após a prisão, em 15 de abril, Ramagem foi colocado em liberdade pelas autoridades americanas. A defesa do ex-deputado informou que não houve pagamento de fiança. A soltura ocorreu porque Ramagem formalizou um pedido de asilo político, o que, pela legislação dos EUA, permite que o indivíduo permaneça em território americano enquanto o processo é analisado, suspendendo temporariamente qualquer medida de deportação imediata.
A reviravolta no caso ocorreu quando o governo dos Estados Unidos ordenou que o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho deixasse o país. Ivo atuava como oficial de ligação em Miami, responsável por monitorar foragidos brasileiros e colaborar com o ICE.
O Departamento de Estado dos EUA acusou o delegado de tentar “contornar” o sistema de imigração e os protocolos oficiais para acelerar a extradição ou prejudicar a permanência de alvos brasileiros (incluindo Ramagem) sem seguir os trâmites devidos. A acusação é de que ele teria agido à revelia das normas diplomáticas, o que foi interpretado como uma tentativa de manipulação do sistema americano.
Nesta quarta-feira, o Itamaraty convocou reuniões de emergência para exigir explicações detalhadas sobre a expulsão. Enquanto a Polícia Federal já nomeou a delegada Tatiana Torres para substituir Marcelo Ivo, o governo brasileiro busca entender se a medida americana foi uma resposta técnica a um excesso de conduta do delegado ou se reflete um desalinhamento político, especialmente diante das recentes taxas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.
A amigos, o delegado Marcelo Ivo negou qualquer irregularidade, afirmando que suas ações possuíam embasamento técnico dentro da cooperação internacional.

