STJ ABRE INVESTIGAÇÃO CONTRA MAURO MENDES POR SUPOSTO FAVORECIMENTO AO BANCO MASTER EM ESQUEMA DE CONSIGNADOS

STJ ABRE INVESTIGAÇÃO CONTRA MAURO MENDES POR SUPOSTO FAVORECIMENTO AO BANCO MASTER EM ESQUEMA DE CONSIGNADOS

Ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado entra na mira da PGR após revelação de “tramitação relâmpago” para liberação do programa Credcesta no estado.

CUIABÁ — O cenário político de Mato Grosso foi sacudido por uma nova reviravolta jurídica que promete tensionar a corrida eleitoral de 2026. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu oficialmente uma investigação contra o ex-governador e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), por suspeita de irregularidades e favorecimento ao Banco Master.

A apuração, iniciada a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), corre sob sigilo e foca no credenciamento extraordinariamente rápido do Credcesta (programa de benefício e cartão consignado do banco) para operar junto aos servidores públicos estaduais em 2023. Mauro Mendes, que deixou o comando do Palácio Paiaguás em março de 2026 para focar na campanha rumo ao Congresso Nacional, nega veementemente as acusações no âmbito do processo.

A “Tramitação Relâmpago” sob Suspeita

De acordo com os autos e manifestações que baseiam a apuração dos órgãos federais, os atos que beneficiaram a instituição financeira do banqueiro Daniel Vorcaro ocorreram em um intervalo de poucos dias em maio de 2023:

  • 5 de maio de 2023: O então governador Mauro Mendes assinou um decreto estabelecendo uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefícios voltados ao funcionalismo público e pensionistas.
  • 8 de maio de 2023: Três dias após o decreto, o Banco Master protocolou o pedido de credenciamento no estado.
  • 9 de maio de 2023: Em apenas 24 horas, o procedimento administrativo estadual foi aberto.
  • 12 de maio de 2023: Pouco mais de trinta minutos após o banco submeter documentos complementares exigidos pela equipe técnica, o Governo de Mato Grosso emitiu o parecer favorável que abriu caminho definitivo para as operações.

A portaria que oficializou a parceria foi publicada em 1º de junho do mesmo ano, estendendo a permissão comercial até maio de 2028. A celeridade incomum chamou a atenção dos órgãos de controle, que cruzaram os dados com encontros políticos e agendas informais mantidas por Mendes e Vorcaro na cidade de Nova York semanas antes da formalização do contrato.

O Impacto Financeiro e o “Rombo” Bilionário

O caso do Banco Master já havia ganhado os holofotes federais em março de 2026, quando o também ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, prestou depoimento contundente à CPI do Crime Organizado no Senado Federal. Na ocasião, Taques denunciou que empresas ligadas ao Master captavam massivamente os contratos de servidores e os repassavam ao banco sem as devidas chancelas regulatórias do Banco Central.

O efeito prático sobre os salários dos funcionários públicos foi avassalador: as operações vinculadas ao banco no estado saltaram de 104 mil em 2022 para mais de 2,7 milhões em 2024. Denúncias apontam que o endividamento real de parte dos servidores atingiu margens asfixiantes de até 60% de seus rendimentos líquidos. Diante de indícios de falsificação de assinaturas e fraudes contratuais massivas, o Governo do Estado chegou a suspender as consignações de forma temporária no início de 2026.

Triangulação com Fundos e a Concessionária Oi

O inquérito do STJ também deve analisar um desdobramento financeiro complexo que envolve o repasse de cerca de R$ 755 milhões a estruturas da instituição financeira. Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que, em 2024, o governo estadual firmou um acordo tributário bilionário com a operadora Oi para extinguir litígios judicializados.

O montante de R$ 308 milhões pagos na transação teria sido vertido para dois fundos privados administrados pelo Banco Master (Royal Capital e Lotte World). A suspeita dos investigadores é de que esses mesmos fundos foram utilizados em uma sofisticada engenharia financeira de triangulação de capital para irrigar contas de mineradoras e empresas de energia que possuem ligação societária com o próprio Mauro Mendes.

Manifestações de Defesa

Em notas e posicionamentos públicos emitidos por sua assessoria jurídica no âmbito das investigações, Mauro Mendes tem sustentado que todos os atos praticados durante os seus mandatos à frente do Executivo Estadual “seguiram estritamente a legalidade, a transparência e os princípios da administração pública”. A defesa pontuou que o credenciamento de margens não foi exclusivo e que outras 24 instituições financeiras foram habilitadas pelo estado no mesmo período, refutando qualquer hipótese de favorecimento.

O Banco Master, por sua vez, tem reiterado publicamente a lisura de suas operações de crédito e afirma colaborar com as autoridades financeiras e judiciais para demonstrar a regularidade de seus programas de benefícios.

O avanço das investigações no STJ ocorre em um momento crítico, onde os desdobramentos judiciais podem afetar diretamente as alianças partidárias e a viabilidade eleitoral das pré-candidaturas majoritárias no estado.

Fonte: Internet / Imagem: Mauro Mendes – Daniel Vorcaro (Por Inteligência Artificial/Gemini)

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