PF Abre Processo que Pode Culminar na Demissão de Eduardo Bolsonaro por Abandono de Cargo
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A Corregedoria da Polícia Federal (PF) instaurou formalmente, nesta sexta-feira (30 de janeiro de 2026), um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O objetivo é apurar o suposto abandono do cargo de escrivão da corporação, função para a qual ele deveria ter retornado após a cassação de seu mandato parlamentar em dezembro de 2025.
O Motivo: Mais de 30 Dias de Ausência
Eduardo Bolsonaro é escrivão de carreira da PF desde 2010, mas estava afastado para exercer suas atividades na Câmara dos Deputados. Após perder o mandato em 18 de dezembro de 2025 — devido ao excesso de faltas em sessões deliberativas —, a Polícia Federal determinou seu retorno imediato ao posto de trabalho na delegacia de Angra dos Reis (RJ).
Os fatos centrais da investigação incluem:
- Faltas Injustificadas: O ex-deputado não se apresentou para trabalhar no prazo legal de 30 dias após a notificação oficial.
- Autoexílio: Eduardo permanece morando nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e já declarou publicamente que não possui condições de retornar ao Brasil por se considerar “perseguido politicamente”.
- Configuração de Abandono: Pelas leis do serviço público federal (Lei 8.112/90), a ausência intencional por mais de 30 dias consecutivos caracteriza abandono de cargo, punível com a demissão.
Acúmulo de Problemas Jurídicos
Este não é o único processo administrativo que Eduardo enfrenta na corporação. Em setembro de 2025, um outro PAD já havia sido aberto para investigar se ele utilizou sua posição e influência para articular sanções contra autoridades brasileiras (como o ministro Alexandre de Moraes) junto a parlamentares estrangeiros, o que poderia configurar desvio de finalidade e improbidade administrativa.
“Vou lutar pelo meu cargo porque sei que batalhei para ser aprovado nesse concurso”, declarou Eduardo em redes sociais, reafirmando que pretende se defender das acusações.
O Que Acontece Agora?
O processo seguirá um rito sumário pela Corregedoria da PF:
- Instalação e Inquérito: Coleta de provas sobre as ausências.
- Defesa: O ex-deputado será notificado para apresentar suas justificativas legais.
- Relatório Final: A comissão emitirá um parecer recomendando a absolvição ou a sanção (que pode ser a demissão).
- Julgamento: A autoridade máxima da instituição decide pela aplicação ou não da penalidade.

