Turilândia sob Intervenção: O Raio-X do Desvio de R$ 56 Milhões que Decapitou o Poder Local
Fotos: G1 / Internet
O pequeno município de Turilândia, no Maranhão, vive o Natal mais conturbado de sua história. O que começou como uma investigação sobre irregularidades em licitações culminou na Operação Tântalo II, uma ofensiva do GAECO e da Polícia Militar que, na prática, desmantelou toda a cúpula do Poder Executivo e Legislativo da cidade.
O “Prefeito Itinerante” e a Queda do Clã Curió
Após dias foragido, o prefeito Paulo Curió (União Brasil) entregou-se às autoridades na última quarta-feira (24). Ele é apontado como o líder de uma organização criminosa que drenou R$ 56.328.937,59 dos cofres públicos. Ao seu lado na linha de frente do esquema, segundo o Ministério Público, estavam a primeira-dama Eva Curió e a vice-prefeita Tânia Mendes, ambas também detidas.
A investigação revela uma estrutura de corrupção sistêmica: cerca de 95% das licitações realizadas entre 2021 e 2025 foram fraudadas. O dinheiro, que deveria ser destinado a hospitais e escolas, abastecia uma rede de empresas de fachada e postos de combustíveis.
O “Mensalinho” de Turilândia: 11 Vereadores na Mira
O esquema não parava na prefeitura. Para garantir que os desvios não fossem fiscalizados, a gestão Curió teria “comprado” o silêncio da Câmara Municipal. Todos os 11 vereadores da cidade são investigados por receberem propinas periódicas. Atualmente, os parlamentares circulam sob monitoramento de tornozeleira eletrônica, uma medida cautelar para evitar a fuga enquanto o processo avança.

Foto: Tânia Mendes (vice-prefeita) e 11 vereadores de Turilândia estão envolvidos em desvios de dinheiro público, segundo o MP-MA — Foto: Divulgação/Câmara de Turilândia
A Conexão com a Agiotagem
Um dos braços mais sofisticados da organização envolvia o setor privado e a medicina. Um médico neurocirurgião é investigado por atuar como o “banqueiro” do grupo. Ele financiava as operações políticas e, em troca, recebia vultosos pagamentos através de contratos superfaturados. A lavagem de dinheiro contava ainda com o suporte de operadores financeiros experientes, como Wandson Jhonathan Barros, que geria a logística dos pagamentos ilícitos.
Cidade Paralisada: Quem Governa?
Com o afastamento dos titulares, a administração municipal entrou em colapso temporário. O presidente da Câmara, José Luis Araújo, assumiu interinamente a prefeitura sob autorização judicial. O desafio é hercúleo: Turilândia enfrenta graves problemas na merenda escolar e no atendimento básico de saúde, setores que foram os mais sacrificados pelos desvios.
O Que Espera os Envolvidos?
Se condenados, os líderes do esquema podem enfrentar penas que, somadas, ultrapassam os 30 anos de reclusão. Além da prisão, o Ministério Público busca o ressarcimento integral dos R$ 56 milhões e a declaração de inelegibilidade de todos os políticos envolvidos pela Lei da Ficha Limpa.
Enquanto os processos tramitam na Justiça Maranhense, a população de Turilândia aguarda por respostas e, principalmente, pela normalização dos serviços públicos que foram “sequestrados” pela corrupção.

