Ex-funcionários do Samu fazem protesto em Cuiabá após governo de MT demitir mais de 50 profissionais
Categoria afirma que desligamentos comprometem o atendimento de urgência e podem levar ao fechamento de bases na capital e em Várzea Grande. Secretaria de Saúde diz que integração com Bombeiros garante serviço.
Fonte: G1 MT — Cuiabá / 28/03/2026 14h30
CUIABÁ: Um grupo de ex-funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizou um protesto na manhã deste sábado (28), no Centro de Cuiabá, contra a demissão de 56 profissionais de saúde. Os manifestantes percorreram ruas centrais e se concentraram em frente a órgãos públicos para denunciar o que chamam de “desmonte” do serviço de urgência e emergência em Mato Grosso.
Ao todo, foram desligados 10 condutores, 22 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem. Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (Sisma-MT), os cortes ocorreram de forma abrupta e sem planejamento para reposição imediata, o que pode resultar no fechamento de até 40% das bases operacionais em Cuiabá e Várzea Grande.
“Estamos falando de vidas. Reduzir a equipe do Samu significa aumentar o tempo de resposta. Em casos de infarto ou acidentes graves, cada minuto conta. Estão trocando profissionais técnicos e experientes por um modelo que ainda não provou eficiência”, afirmou Carlos Mesquita, presidente do Sisma-MT.
Risco no atendimento
A principal preocupação dos manifestantes é o impacto direto na população, especialmente nos fins de semana e feriados, quando o volume de ocorrências aumenta. De acordo com a categoria, bases estratégicas podem deixar de operar por falta de escala de profissionais.
Os ex-servidores também alegam que muitos dos demitidos atuaram na linha de frente durante a pandemia de Covid-19 e que o governo estadual não utilizou a lista de aprovados em concursos vigentes para preencher as vagas, optando pelo corte seco no quadro.
Convocação na Assembleia Legislativa
O caso ganhou repercussão política e chegou à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A Comissão de Saúde aprovou a convocação do secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, para prestar esclarecimentos sobre as demissões e o plano de contingência para o serviço.
O secretário deve comparecer à Casa de Leis na próxima terça-feira (31). Deputados estaduais demonstraram preocupação com a assistência médica de urgência e pedem a suspensão das demissões até que um plano detalhado seja apresentado.
O que diz o governo
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informou que as demissões fazem parte de um processo de reestruturação e que não haverá prejuízo ao atendimento à população.
Segundo a pasta, o governo implementou um novo modelo integrado entre o Samu e o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMT), o que otimizaria os recursos e a cobertura das ocorrências. A SES reforçou que a integração das ações de atendimento pré-hospitalar garante que as chamadas continuem sendo atendidas dentro dos protocolos técnicos exigidos.
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