Corpo de mulher é encontrado em “ponto de desova” próximo à Terra Indígena Sararé, em MT
A vítima, Regiane Oliveira Lima, de 38 anos, teria sido executada em área de garimpo ilegal. Local onde o corpo foi localizado é conhecido pela polícia como ponto estratégico de descarte usado por criminosos.
Com informações do G1-MT / Foto: G1-MT
PONTES E LACERDA – O corpo de uma mulher, identificada como Regiane Oliveira Lima, de 38 anos, foi encontrado no último domingo (11) sobre uma ponte de madeira na BR-174, em uma região de fronteira com a Terra Indígena (TI) Sararé. O território é atualmente considerado um dos mais desmatados da Amazônia Legal devido à explosão do garimpo ilegal de ouro.
Execução e Desova
De acordo com o delegado João Paulo Berté, a principal linha de investigação aponta que Regiane foi executada dentro de um garimpo localizado no interior do território indígena. O corpo teria sido transportado até a ponte apenas para o descarte.
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O delegado explicou que o local é frequentemente utilizado por criminosos como “ponto de desova”. A estratégia consiste em abandonar as vítimas na estrada, mais próximas da área urbana, com dois objetivos: evitar a interrupção das atividades de extração de ouro e dificultar a perícia no local real do crime, o que prejudica a coleta de provas e a identificação dos autores.
Contexto de Violência na TI Sararé
O crime ocorre em um cenário de extrema tensão na Terra Indígena Sararé, que abrange os municípios de Pontes e Lacerda, Conquista D’Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade. O território sofre com a invasão de cerca de dois mil garimpeiros e a presença de facções criminosas, como o Comando Vermelho, que passaram a controlar parte da exploração ilegal.
A devastação na área já ultrapassa os três mil hectares. Forças federais e estaduais, incluindo a Polícia Federal e o Ibama, realizam operações constantes de desintrusão na reserva, tendo neutralizado centenas de escavadeiras hidráulicas nos últimos meses.
Próximos Passos
O corpo de Regiane foi encaminhado para a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que realizará exames para determinar a causa exata da morte. A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar os responsáveis pela execução e a motivação do crime, que se soma aos diversos conflitos armados registrados na região em decorrência da atividade garimpeira clandestina.

