Polícia Civil deflagra operação contra jovem que planejava ataques e disseminava ideologia neonazista em escolas de MT
Investigado utilizava redes sociais para incitar violência contra grupos vulneráveis e planejar atentados em unidades de ensino; mandados foram cumpridos nesta quinta-feira (29).
Foto: Divulgação/PJC
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29), uma operação para cumprir mandados judiciais contra um jovem suspeito de utilizar o ambiente digital para planejar ataques violentos a escolas e difundir ideologias neonazistas. A ação é um desdobramento de investigações que monitoram grupos extremistas que atuam na internet cooptando jovens e adolescentes.
O Alvo e o Modus Operandi
De acordo com as investigações, o suspeito utilizava perfis em diversas redes sociais para disseminar conteúdo de ódio e propaganda neonazista. Além da apologia a símbolos e figuras ligadas ao regime nazista, o jovem é acusado de incitar atos de violência extrema, tendo como alvos principais instituições de ensino e populações vulneráveis.
As autoridades identificaram que o investigado não apenas compartilhava material ilícito, mas também participava de grupos de discussão onde planejava táticas para atentados. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram apreendidos dispositivos eletrônicos que passarão por perícia técnica da Politec.
Medidas Judiciais
A operação contou com a execução de:
- Prisão preventiva do investigado;
- Busca e apreensão domiciliar para coleta de evidências;
- Quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos.
A polícia destaca que o jovem também praticava crimes de racismo no ambiente digital, uma conduta que tem sido recorrente em investigações de crimes de ódio no estado.
Histórico de Monitoramento em MT
Mato Grosso tem intensificado o combate ao extremismo online. Em 2025, a operação “Mão de Ferro 2” já havia revelado a existência de grupos articulados que misturavam apologia ao nazismo com o incentivo à automutilação e produção de conteúdo de abuso sexual infantil. Naquela ocasião, um adolescente de 15 anos foi apontado como uma das lideranças dessas células digitais.
A Polícia Civil reforça a importância de que pais e responsáveis monitorem o uso da internet por jovens e denunciem qualquer comportamento suspeito ou menção a ataques.
O que diz a Lei
Os crimes de apologia ao nazismo (Lei 7.716/89) preveem penas de dois a cinco anos de reclusão. No entanto, quando somados a crimes de incitação à violência, ameaça e planejamento de atos terroristas/atentados, as penas podem ultrapassar os 20 anos de prisão.
As investigações seguem sob sigilo para identificar se há outros envolvidos ou se o suspeito agia de forma coordenada com grupos de outros estados.

