Governo Lula prepara Medida Provisória para garantir ganho real ao Piso do Magistério em 2026

Governo Lula prepara Medida Provisória para garantir ganho real ao Piso do Magistério em 2026

Foto: Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com ministro da Educação, Camilo Santana – Foto: Ricardo Stuckert/PR

Regra herdada de 2008 previa reajuste irrisório de apenas 0,37%; Ministro Camilo Santana afirma que aumento abaixo da inflação é “inadmissível”.

Brasília – O Ministério da Educação (MEC) anunciou que o Governo Federal está finalizando uma Medida Provisória (MP) para alterar o cálculo do Piso Nacional do Magistério. A decisão surge após a constatação de que a fórmula atual, estabelecida pela Lei nº 11.738/2008, resultaria em um reajuste de apenas 0,37% para 2026 — o que elevaria o salário base em apenas R$ 18,00.

O Impasse das “Regras Antigas”

O cálculo utilizado até então é atrelado ao Valor Aluno-Ano do Ensino Fundamental (VAAF). Devido à baixa variação desse indicador nos últimos dois anos, o índice automático para 2026 ficou drasticamente abaixo da inflação oficial, que gira em torno de 4%.

Se o governo seguisse estritamente a norma atual, o piso passaria dos atuais R$ 4.867,77 para R$ 4.885,78, gerando uma perda real no poder de compra dos professores da educação básica.

O Compromisso com a Valorização

O ministro Camilo Santana classificou o índice de 0,37% como “inadmissível” e reforçou que a gestão do presidente Lula está empenhada em garantir que a categoria não seja prejudicada por distorções técnicas da legislação.

“Professor precisa ser reconhecido e valorizado. Não podemos admitir que a regra atual resulte em um reajuste simbólico. Estamos trabalhando para anunciar um novo percentual que garanta ganho real”, afirmou o ministro.

O que muda com a nova proposta?

A intenção do governo é adotar um critério híbrido para o reajuste, que deve ser apresentado até o dia 15 de janeiro. Entre os pontos em discussão estão:

  • Reposição da Inflação: Garantia de que o piso nunca suba menos que o IPCA.
  • Ganho Real: Adição de um percentual baseado no crescimento das receitas do Fundeb.
  • Expectativa do Mercado: Sindicatos e entidades como a CNTE defendem um reajuste de aproximadamente 6,25%, o que elevaria o piso para o patamar de R$ 5.172,00.

Próximos Passos

A Medida Provisória terá força de lei imediata assim que publicada, permitindo que estados e municípios já apliquem o novo valor nas folhas de pagamento de janeiro. O texto seguirá posteriormente para votação no Congresso Nacional, onde o governo espera consolidar uma regra permanente que evite novas defasagens salariais nos próximos anos.

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